Que fazemos parte de Deus está provado pela
Física Quântica: “Quando penetramos na matéria, a natureza não nos mostra
quaisquer elementos básicos isolados, mas apresenta-se como uma teia complicada
de relações entre as várias partes de um todo unificado” (1). Eu, Anacleto,
faço parte de uma teia que é o todo unificado (Deus).
Riqueza, poder e até mesmo saúde não são
garantias de felicidade. A felicidade do carro novo dura poucos dias! A verdadeira
felicidade somente existe no Reino de Deus — mas o Reino de Deus não é um local
geográfico: o Reino de Deus é um “estado da mente que o mundo exterior, com
todos os seus aborrecimentos e preocupações, não pode perturbar”. “O Reino de
Deus está dentro de vós” (Lucas 17,21) — ou seja, na nossa mente. E é impossível
ser feliz vivendo sob o comando de uma mente egoica!
Bom, quais as opções?
Primeira, como entendem os materialistas,
viver como se não existisse vida depois da morte. Morreu, acabou! Aqui o
conceito de ética e moral fica seriamente comprometido.
Segunda, acreditar — como as pessoas generalizadamente
acreditam — que, depois da morte, vamos para o céu ou para o inferno, dependendo
de como estamos nos comportando aqui na Terra. Penso que não basta não fazer o
mal, recitar orações mecânicas, frequentar cultos semanais e fazer caridades (muitas
vezes, pseudocaridades!) — porque Jesus foi taxativo: “Eu lhes garanto: se
vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês NUNCA entrarão
no Reino do Céu” (Mateus 18,3) — ou seja, NUNCA serão felizes, aqui e agora nem
depois da morte!
Uma perguntinha incômoda: se Deus perdoasse
nossos pecados, mas nós não renascêssemos no Espírito e permanecêssemos
exatamente como somos aqui e agora, quanto tempo duraria nosso “céu”? Certamente,
em poucos dias, nosso “céu” se tornaria uma filial da Terra!
A terceira, como disse Paramahansa Yogananda,
“Não conte com a morte para livrar-se das imperfeições. Após a morte, você
permanece exatamente igual ao que era antes. Nada muda, você só abandona o corpo.
Se for ladrão, mentiroso ou trapaceiro antes de morrer, não vai se tornar um
anjo pelo simples fato de ter morrido (...) Aquilo que você foi até agora é o
que será no além. E, quando reencarnar, virá com as mesmas características.
Para mudar terá que fazer um esforço, e este mundo é o lugar adequado para
isso. (...) Você está num casulo de seus próprios maus hábitos, e dele deve sair
por intermédio do autoesforço” (2).
De acordo com Aldous Huxley (1894-1963), “para
a transformação da personalidade radical e permanente, somente um método
efetivo foi descoberto — o místico.” Mas “a conquista da iluminação é tão
difícil, demandando grau de autoabnegação tão aterrorizante para o ser humano
pecador comum que em todos os períodos da história poucos homens e mulheres estariam
preparados, até mesmo para tentar esse trabalho.” Huxley salienta ainda que “assim
sendo, temos que aguardar uma ação política em larga escala que continue a dar
os resultados profundamente insatisfatórios que sempre foram alcançados no
passado” (3).
Qual a solução?
Para mudarmos, nos tornarmos como crianças,
renascermos como disse Jesus, temos que transmutar o ego, ou seja, reciclar o
que existe de egoísmo em nosso ego, a fim de nos tornarmos perfeitos como é
perfeito o Pai que está no céu (Mateus 5,48). Em vez “levar vantagem”, do “olho
por olho” do Deus do Antigo Testamento, colocarmos em prática os ensinamentos
de Jesus: “amar ao próximo”, “dar a outra face”, “perdoar setenta vezes sete” e
“fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que o próximo nos fizesse”. Meu pai lá
em cima deve estar dizendo: “É aí que a porca torce o rabo”!
Para transmutar o ego, não basta estudar os
ensinamentos de Jesus como estão no Novo Testamento. A Bíblia está repleta de
distorções, a começar pelos conflitos existentes entre os ensinamentos de Jeová
(Antigo Testamento) e os de Jesus (Novo Testamento)!
A esta altura, alguém deve estar pensando,
como diz um amigo, que fumei um baseado estragado. Portanto, vamos em frente!
Existe um livro chamado CARTAS DE CRISTO que
pode ajudar as pessoas. Na internet, lê-se o comentário seguinte:
“Leia com a alma! Esta é uma obra que demanda
interesse genuíno em descobrir novas formas de pensar a vida e as figuras de
Cristo e de Deus. Esteja ciente que aproveitar essa obra também demandará
abertura para ressignificar suas crenças e quebrar paradigmas. Não é um livro
para se ler uma única vez; é um material de estudo para toda a vida!”
Eu acrescentaria que NÃO SE TRATA DE RELIGIÃO
e que, na Carta 3, Cristo diz: “Aproximo-me das pessoas que me chamam e
trabalho com elas para aliviar suas angústias, mas seu esquema mental e suas
crenças estão tão fortemente gravadas em seus cérebros, que minha Verdade não
pode alcançá-las para trazer novo conhecimento às suas mentes. Ainda que
brevemente e de maneira imperfeita, muitas ouviram, faltou a elas, no entanto,
a valentia para aceitar novas ideias e falar claramente”.
Faltou — e continua faltando — a elas
valentia para aceitar as ideias trazidas por Cristo quando, como Jesus, esteve
na Palestina. Até hoje, as pessoas ainda se encontram presas ao Deus do Antigo
Testamento — o Deus de características humanas, ciumento e vingativo, que
premia e castiga! Por exemplo, elas não entendem — ou não querem entender! —
que “o amar ao próximo” de Jesus revoga completamente os Dez Mandamentos de
Moisés!
(1) CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. Editora Cultrix, 1982.
(2) PARAMHANSA YOGANANDA. O romance com Deus. Los
Angeles, California, USA. Self Realization Fellowship, 2013.
(3) HUXLEY, Aldous. Huxley e Deus – Ensaios. Bertrand Brasil, 1995.

